Câmara de Coimbra atribui Medalha de Mérito Cultural à escritora Teolinda Gersão

O presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, Manuel Machado, entregou, ontem à tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a Medalha de Mérito Cultural Grau Ouro à escritora Teolinda Gersão, uma das mais destacadas figuras da literatura portuguesa contemporânea, que completa, em 2021, 40 anos de carreira. Manuel Machado agradeceu à autora a “simplicidade e a prontidão” com que acolheu o convite da autarquia para vir a Coimbra participar na primeira edição do Encontro Literário “Cidades Invisíveis” e afirmou que quer que a cidade conheça melhor e leia a obra da escritora conimbricense.

“E porque a obra é feita pela escritora, mas é também feita pelos seus leitores, este momento pretende também ser uma instigação coletiva. (…) Queremos que Coimbra conheça melhor a senhora professora Teolinda Gersão. Queremos que Coimbra conheça melhor a sua obra. Queremos, por isso, que Coimbra tenha a curiosidade de a ler. Queremos, mesmo, que cada conimbricense tenha um livro seu na estante”, afirmou o presidente da Câmara durante a cerimónia, agradecendo a “amabilidade”, a “simplicidade e a prontidão” com que Teolinda Gersão aceitou o convite da autarquia para estar presente no I Encontro Literário “Cidades Invisíveis”, que decorre até amanhã em Coimbra.

Manuel Machado recordou orgulhosamente que “Teolinda Gersão nasceu em Coimbra”. “Estou certo de que é desta forma que se iniciam as biografias desta cidadã, que Coimbra viu nascer e crescer, antes de se tornar numa notável representante da portugalidade pelo mundo”, afirmou o autarca, considerando que a cidade está, agora, a prestar-lhe “a devida e justa homenagem pelo seu percurso de 40 anos de carreira literária”. “Coimbra, Cidade da Literatura (…) é um compromisso que assumimos por inteiro. Coimbra é uma cidade de escritores, poetas e prosadores. A senhora professora Teolinda Gersão é disso ilustre exemplo”, concluiu.

“É com a maior honra e gratidão que recebo esta medalha da cidade onde nasci e que continua presente no meu imaginário”, referiu, por sua vez, a homenageada, recordando que a família paterna está ligada ao concelho desde, pelo menos, os seus trisavós, e que a sua mãe, apesar de ser da Beira Alta, considerava Coimbra “a mais bela cidade do mundo”. A escritora considerou, ainda, que “Coimbra é uma cidade de escritores”, recordando ter partilhado momentos da sua vida na cidade com nomes tão importantes como o poeta António de Sousa, os escritores Vitorino Nemésio e Miguel Torga, o cantor Luiz Goes ou Zeca Afonso. “As memórias felizes são muitas”, reforçou, terminando o seu discurso com um compromisso: “Enquanto tiver vida e saúde, continuarei a dar o meu melhor à família, aos leitores, às cidades da minha vida e ao meu país”.

Antes dos discursos, a vereadora da Cultura da CM Coimbra, Carina Gomes – que apresentou a proposta para a atribuição da medalha à escritora, tendo sido aprovada por unanimidade em reunião do executivo municipal – realizou o elogio a Teolinda Gersão. Carina Gomes referiu que a escritora nasceu em Coimbra, em 1940, cidade onde fez parte do seu percurso académico, tendo frequentado o Liceu Nacional Infanta D. Maria e, mais tarde, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

A vereadora Carina Gomes recordou ainda que Teolinda Gersão é autora de 20 livros e a sua obra está traduzida em 20 países, que já foi galardoada com alguns dos mais importantes prémios literários nacionais, elogiada pela crítica, já viu alguns dos seus livros serem adaptados ao teatro e encenados em Portugal, na Alemanha e na Roménia, e que a sua obra tem inspirado a investigação científica e a revisão bibliográfica, tendo dado origem a vários ensaios e teses em diversas universidades. “Se parar de escrever, uma parte de mim morre”, leu Carina Gomes, citando Teolinda Gersão, e defendendo que esta é “uma justa homenagem” e que “Coimbra deve honrar e elogiar os seus melhores”.

A cerimónia integrou a programação do primeiro Encontro Literário Internacional “Cidades Invisíveis”, que a autarquia está a organizar no âmbito da candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura 2027.  O evento está a decorrer desde a passada quarta-feira em diversos espaços de Coimbra, do Convento São Francisco à Quinta das Lágrimas, passando pela Casa-Museu Miguel Torga, com algumas iniciativas a terem lugar ao ar livre, nas ruas do concelho. O objetivo principal do Encontro Literário, que decorrerá anualmente e contará com uma cidade convidada por edição – que, nesta estreia, é Santiago de Compostela – é explorar as relações entre a cidade e a literatura e reforçar a presença de Coimbra no panorama e universo literário europeu.

O I Encontro Literário “Cidades Invisíveis” conta com a participação dos autores portugueses Francisco Duarte Mangas, José Manuel Mendes, Marlene Ferraz, Vasco Pereira da Costa, Viale Moutinho e Teolinda Gersão e dos escritores galegos Cesáreo Sánchez Iglesias (presidente da Associação Galega de Escritores), Elias Torres Feijó, Susana Sánchez Arins, Teresa Moure e Carlos Quiroga, responsável pela realização de uma residência literária na Casa da Escrita, durante a qual se dedicará a um projeto literário e participará nas atividades regulares da cidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *