Anos 80 – A Época – Contexto Político e Histórico

Muitos poderão dizer “… o que a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), tem haver
com esse livro…”, A questão em si é que para contextualizar a esquerda no Brasil é
necessário entender um pouco da História que a formou.

Embora muitos possam dizer que a esquerda no Brasil começou muito antes, e isso seja
bem verdade, a maioria dos ideais anteriores a criação do PT já morreram, não como
Utopia ​ mas pela modificação da forma de fazer política gerada com o fim da ditadura.
Por isso, inicio este capítulo com a história da fundação do PT, que se une a reformulação
da esquerda brasileira, para dar ao leitor não inserido na esquerda a oportunidade de
conhecer fatos que não se encontram nas redes sociais e na grande mídia tradicional.

Fundação do Partido dos Trabalhadores PT (1980).

Após o golpe de 1964, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) foi dissolvido, e os
sindicatos passaram a sofrer intervenção do regime militar. Com as greves e
movimentos organizados de trabalhadores, lideradas por Lula no final da década de
1970, permitiu a reorganização de um movimento sindical que culminou com a criação
da base do que em 1983 seria a CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Percebeu-se que o movimento sindicalista por si só não se sustentaria, sem que
houvessem políticos que lutassem para a consolidação e prática das Leis de Trabalho
adquiridas.

O PT surgiu, tentando colocar em prática uma nova forma de socialismo democrático,
por um grupo heterogêneo, formado por militantes de oposição à Ditadura Militar,
sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à Teologia da Libertação, no dia
10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, com a aproximação entre os
movimentos sindicais da região do ABC, que organizaram grandes greves entre 1978
e 1980, e militantes antigos da esquerda brasileira, entre eles ex-presos políticos e
exilados que tiveram seus direitos devolvidos pela lei da anistia. Desde a fundação, o
partido assumiu a defesa do socialismo democrático.

Fonte: Fundação Perseu Abramo (FPA).

Tida por muitos estudiosos como a ​ Década Perdida ​ , 1980 no Brasil foi marcada, por muita
intensidade política. Foi uma época de reafirmação dos direitos e da cidadania. Mas
também de muita luta e de uma maior percepção do tamanho do Brasil e da suas diferenças
sociais e regionais.

Com a televisão colorida chegando em mais lares, ficava mais evidente a pobreza uma vez
que a censura deixou de ser aplicada aos jornais, revistas e tv. E se de um lado ficava
evidente a pobreza, por outro a televisão ainda como a maior produtora de conteúdo e
ligada às famílias mais ricas do Brasil, que por sua vez estão ligadas aos grandes
latifundiários, políticos e banqueiros, fazia de tudo para que o movimento da esquerda não
se tornasse evidente a grande massa.

Diretas Já

O movimento ​ Diretas Já lançado em 1983, pelo então Senador alagoano ​ Teotônio Vilela na
Rede Bandeirantes teve a sua primeira manifestação pública na Região Metropolitana do
Recife em Pernambuco, no dia 31 de março de 1983. Organizada pelo Partido do
Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Noticiada pelos jornais do estado. Foi seguida
por manifestações em Goiânia, em 15 de junho de 1983 e em Curitiba em novembro deste
mesmo ano.

Com o crescimento do movimento, e o agravamento da crise econômica fechando o ano de
1983 com uma inflação de 239%, e uma profunda crise, houve a mobilização de entidades
de classe e de sindicatos. A repressão ao movimento pela liberdade aumentou e
intensificaram-se as manifestações por eleições diretas. Enquanto na televisão o General
Figueiredo chamava de ‘subversivos’ os protestos em todo o país.

Em 25 de abril de 1984, sob grande expectativa dos brasileiros, a emenda Constitucional
PEC 5 do deputado federal ​ Dante de Oliveira das eleições diretas foi votada e rejeitada
por não alcançar o mínimo de votos devido a uma manobra de políticos que não
compareceram ao plenário da Câmara dos Deputados no dia da votação.

O curioso é que nesse mesmo dia o País experimentou algo no mínimo estranho, pois
houve um apagão na rede elétrica que impediu das maiores cidades do país acompanhar a
votação e como se não bastasse em Brasília tropas do Exército ocuparam a Esplanada dos
Ministérios e também a frente ao Congresso Nacional. Segundo eles estariam ali para
proteger os prédios públicos de atos de desobediência civil.

Em abril de 1984, João Figueiredo então presidente aumentou a censura sobre a imprensa
e ordenou prisões. Embora a emenda não tenha sido aprovada as ​ Diretas Já tiveram
grande participação na retomada da democracia no Brasil.

E mesmo de forma indireta, as eleições pelo colégio eleitoral consagraram em 1985 o
primeiro civil ​ Tancredo Neves que prometeu ser o último presidente eleito de forma indireta,
embora a felicidade para o povo não durou muito, uma vez que Tancredo veio a falecer
pouco tempo depois antes de tomar Posse, assumindo então José Sarney, que mesmo não
sendo o autor da promessa, fez-se cumprir de modo que em 1989 tivemos depois de
décadas a primeira eleição direta.


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