A organização da esquerda é a construção do partido operário

A imprensa golpista vem dando certo destaque, pelo menos desde o impeachment de Dilma Rousseff, à “alternativas” de esquerda diante da “falência do PT”. Essa campanha se acentuou a partir das eleições municipais, controladas pelos golpistas, cujo resultado foi a derrota acachapante da esquerda.




A ala direita e mais pequeno-burguesa do PT, representada por Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, é apresentada como um setor ético dentro do partido. Um setor que apresenta a “necessidade de uma reorganização” do PT e da esquerda. E foi esse o tema do debate promovido pela Folha de S. Paulo na última segunda-feira, dia 28: “Os rumos da esquerda”.

Com a participação do próprio Tarso Genro, do colunista da Folha e membro do PSOL, Vladimir Safatle e do jornalista do blog Opera Mundi e petista Breno Altman, o debate foi uma clara tentativa da imprensa golpista em orientar a esquerda no País. Guilherme Boulos, também colunista da Folha e dirigente do MTST também havia sido convidado.

A esquerda pequeno-burguesa serve como joguete nas mãos do interesses da direita golpista. Enquanto os esquerdistas ficam pensando na reorganização da esquerda, a direita age para orientar uma esquerda agradável a ela. O editorial do Estadão afirmando que Lula é um “obstáculo para a esquerda” mostra bem qual é a orientação que a direita golpista quer para a esquerda.

Em primeiro lugar, é preciso abandonar qualquer defesa de formação de um partido. Aqui, não estamos dizendo um partido revolucionário e socialista, que está muito longe de ser a preocupação dessa esquerda pequeno-burguesa. Como foi comum nas falas durante o debate, o socialismo e a luta de classes são coisas do passado. Mas o ataque à organização dos trabalhadores é ainda mais profundo.

Esse esquerda Folha de S. Paulo não quer partido. Quer um movimento demagógico ao estilo do que faz a direita golpista como o MBL, por exemplo. Um partido que luta pelo poder político, mesmo do ponto de vista oportunista como sempre foi a política de Lula que finalmente acabou levando o PT ao governo, está fora de cogitação.

É preciso um movimento, uma frente de esquerdistas pequeno-burgueses sem nenhuma relação direta com a classe operária a não ser a pura demagogia. Uma frente que não cause nenhum incômodo para a burguesia e a direita golpista, como por exemplo vencer as eleições como fez Lula.

A Folha de S. Paulo e a imprensa golpista tenta orientar a esquerda para seus próprios interesses. Uma esquerda que não luta contra o golpe e não lute para organizar os trabalhadores contra a direita e pelas suas reivindicações.

Para se opor a essa tentativa da direita golpista, é preciso a organização de um partido operário, independente da burguesia e que lute pelo poder da classe operária.

Fonte: Causa Operária


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